Centro Espírita Maria Magdalena

ANTE OS QUE PARTIRAM

Reunião pública de 24-8-59 – LE questão 936
Religião dos espíritos – Francisco Cândido Xavier –
pelo espírito Emmanuel, editora FEB.
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Nenhum sofrimento na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se
debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande
silêncio.
Ver a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos,
e cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir
vivendo.
Digam aqueles que já estreitaram de encontro no peito um filhinho transfigurado
em anjo da agonia; um esposo que se despede, procurando debalde mover os lábios mudos,
uma companheira cujas mãos consagradas à ternura pendem extintas; um amigo que tomba
desfalecente para não mais se erguer, ou um semblante materno acostumado a abençoar, e
que nada mais consegue exprimir senão a dor da extrema separação, através da última
lágrima.
Falem aqueles que, um dia, se inclinaram, esmagados de solidão, à frente de um
túmulo; os que se rojaram em prece nas cinzas que recobrem a derradeira recordação dos
entes inesquecíveis; os que caíram, varados de saudade, carregando no seio o esquife dos
próprios sonhos; os que tatearam, gemendo, a lousa imóvel, e os que soluçaram de angústia,
no ádito dos próprios pensamentos, perguntando, em vão, pela presença dos que partiram.
Todavia, quando semelhante provação te bate à porta, reprime o desespero e dilui
a corrente da mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas
ausentes e as gotas de teu pranto lhes fustiga a alma como chuva de fel.
Também eles pensam e lutam, sentem e choram.
Atravessam a faixa do sepulcro como quem se desvencilha da noite, mas, na
madrugada do novo dia, inquietam-se pelos que ficaram… Ouvem=lhes os gritos e as
súplicas, na onda mental que rompe a barreira da grande sombra e tremem cada vez que os
laços afetivos da retaguarda se rendem à inconformação ou se voltam para o suicídio.
Lamentam-se quanto aos erros praticados e trabalham, com afinco, na regeneração
que lhes diz respeito.
Estimulam-te à prática do bem, partilhando-te as dores e as alegrias.
Rejubilam-se com as tuas vitórias no mundo interior e consolam-te nas horas
amargas para que te não percas no frio do desencanto.
Tranquiliza, desse modo, os companheiros que demandam do Além, suportando
corajosamente a despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os
deveres que te legaram.
Recorda que, em futuro mais próximo que imaginas, respirarás entre eles,
comungando-lhes as necessidades e os problemas, porquanto terminarás também a própria
viagem no mar das provas redentoras.

E, vencendo para sempre o terror da morte, não nos será lícito esquecer que Jesus,
o nosso Divino Mestre e Herói do Túmulo Vazio, nasceu em noite escura, viveu entre os
infortúnios da Terra e expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre o monte empedrado,
mas ressuscitou aos cânticos da manhã, no fulgor de um jardim.

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